Casamento é a união solene entre duas pessoas que se amam. Mas casamento,
tal como o conhecemos, nem sempre foi assim. Aliás, ele foi uma invenção, pasme-se,
caro leitor, do Capitalismo. Antes, não era importante que os cônjuges se
conhecessem, se gostassem, enfim se amassem . O amor não estava em jogo. O casamento
era, tão somente, um acordo entre famílias para selar não o amor, mas a fusão
de terras, patrimônio, enfim, bens.
Mas este texto não é sobre o amor, nem sobre Capitalismo. Sequer sobre
bens. Nosso assunto é sobre crase.
Crase é uma palavra de origem grega e significa fusão, união. Em
gramática, basicamente a crase se refere à fusão da preposição "a"
com o artigo feminino "a": Vou à festa. O verbo ir rege a preposição
a, que se funde com o artigo exigido pelo substantivo feminino festa: Vou à
(a+a) festa. Graficamente, a fusão das vogais "a" é representada por um acento grave ( ` ).
No caso de ir a algum lugar e voltar de algum lugar, usa-se crase
quando: "Vou à Bolívia. Volto
da
Bolívia". Não
se usa crase quando: "Vou
a São Paulo. Volto
de São Paulo". Ou seja, se você vai a e volta da, crase há. Se você vai a
e volta de, crase para quê?
Atenção: constitui
erro colocar acento grave antes de palavras que não admitam o artigo feminino
a, como verbos, pronomes pessoais, palavras masculinas e de expressões com
palavras repetidas: dia a dia, gota a gota, cara a cara.
É importante lembrar dos casos em que a crase é empregada,
obrigatoriamente: nas expressões que indicam horas ou nas locuções à medida que, às vezes, à noite,
etc., na expressão "à moda",
ainda que esteja implícito: Saio sempre às sete horas da manhã. À medida que o
tempo passa, fico mais apaixonada por você. Gosto de pizza à moda italiana. Compro
móveis à Luís XV.
Ocorre crase ainda na preposição
"a"
com as iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), aquele(s),
aquilo ou com o pronome relativo a qual (as quais): Refiro-me
àquele beijo que não foi dado. Quem refere, se
refere a alguém ou a alguma coisa = refiro-me a + aquele beijo. Prefiro isto àquilo. Quem prefere, prefere uma
coisa à outra = prefiro a + aquilo.
Agora, se você chegou a este (uso facultativo da crase) texto
por causa do filme Se beber, não case!, veja
o primeiro e esqueça os subsequentes. Na
certa, diretor e roteirista beberam muito para fazê-los, motivo pelo qual
assisti-los é pura ressaca.