Houve um tempo que as meninas sonhavam em ser professoras. Houve um tempo em que ser professor era ter prestígio social. Houve um tempo que existia brilho no olhar de um professor ao responder a pergunta: Qual sua profissão?
Novos tempos.
Discute-se hoje, depois do advento “Google”
se, inclusive, o professor não é mesmo um cargo em extinção. Nos Estados
Unidos, por questões de segurança, muitos pais resolvem ser professores de seus
próprios filhos e educá-los no conforto de seus lares, longe de bullying, de
atentados terroristas, psicopatas sociais, etc. Uma saída para a violência do
dia a dia. Lá é possível, desde que o aluno atinja as competências e seja
aprovado por órgãos oficiais, ser diplomado formalmente. No Brasil, é diferente.
O ensino formal se faz exclusivamente por meio escolar, passando por
professores graduados.
Não é fácil ser professor no Brasil. Assim
como não é fácil ser professor no mundo. Sim, o professor brasileiro não sofre
sozinho com péssimas condições de trabalho, baixos salários, planos de carreira
pífios. Não chega a ser um consolo. É só realidade.
Baixos salários, aliás, têm sido o principal
motivo da migração do professor para outras áreas de atuação. Justo. Porque
vocação não paga conta. E não há como negar que o salário desse profissional
está aquém da remuneração de outras profissões, que muitas vezes exigem menos qualificação
e dedicação.
Mas como mensurar o salário de tirar um aluno
das trevas da ignorância? Como mensurar o salário de um sorriso de quem acabou
de resolver uma questão difícil? Como mensurar o semblante de alguém que te
reconhece na rua com um doce: “Professora!”? Ou ainda um: “Não mexe com essa, porque
ela foi minha professora”?
Numa sociedade na qual muitos profissionais
escondem sua identificação civil por medo de serem abordados na rua, o
professor ainda caminha com certa desenvoltura...
É um tipo de piso salarial pouco valorizado:
o salário emocional.
Para muitos, é o tipo de remuneração capaz de
fazer com que, apesar dos pesares, ainda acreditemos que seja possível modificar
uma sociedade para melhor através da Educação.
Idealismo?
Sim. E
cada vez mais.